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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Consciência Humana

Eu sou assim
Essa mente que em vão sonha
Perdida em delírios de festim
Mente descomunal, humana
Saber o que quer enfim
É o seu principal grande drama
Labirinto sem inicio, sem fim
Gasto pelas teorias mundanas
Debilmente arquitetado bem no meio
De um jardim sombrio
De onde pássaros de asas raras
Não podem voar
Pois seus cantos ecoam
Versos dementes, tardios

Mente humana, confusa, calada
Turbilhão de mil pensamentos
Recôndito por onde a vida passa
Revolto remanso dos sentimentos

Mente humana
O ser humano te olha inquisidor
Vacilante entre o desejo de saber
E a dúvida da resposta
O que lhe causa peculiar rancor:
Em ser uma espécie pensante, terrena
Ainda que insignificante, pequena
Mas que, do auge de sua inocente certeza de superioridade,
Considera-se portadora de angustiante dor –
A consciência maior de sua mortalidade

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Silêncio


O que me resta
é me contentar com a ambiguidade do seu silêncio,
das suas poucas palavras
Logo eu, que me achava tão lacônico, soturno

A desilusão
é saber que o seu silêncio é só isso:
não a ausência óbvia de palavras,
mas tão somente silêncio,
sem camadas de sentidos ocultos,
sem sombras metaforizadas,
sem entrelinhas enviesadas

Talvez até seja o signo ainda incompreendido, por mim,
de um sentimento mais ameno ou até mesmo mais amargo

Você bem me conhece, sabe o quanto é inevitável
essas minhas armadilhas verbais, essas divagações

Eu levanto os olhos do papel onde escrevo
(outra mentira: escrevo direto na tela do celular ou do computador)
e procuro seu rosto, uma imagem sua, uma lembrança...
Mas o silêncio (de novo ele), o silêncio é como uma assombração
presente em  cada recanto de uma casa onde você nunca esteve
Isso me provoca delírios, e fico cheio de esperanças

No entanto, sei que estou sombrio, e que a doença é mais que um simples e pretensioso verso

Tudo bem, não precisa dizer nada
(como se eu conseguisse fazer você falar, ou como se eu merecesse ter em meus ouvidos sua voz a me dizer qualquer coisa)

Ainda estou absorto nesse exílio de mudez e palavras - seu olhar

II

Vou fazer desse seu silêncio algo que eu não soube ou não fui capaz de fazer de mim                                                                                                                                      [mesmo
de nós:
um ponto singular no Universo
onde não há nada de mais
do que a latente possibilidade
de uma voz se expandir
e (me) dizer
oi
ou dessa mesma voz
se contrair
e apenas (me) sorrir
um sorriso mudo
sincero
um apelo carinhoso
de que eu não diga mais nada
e fique quieto
a ouvir esse silêncio que há em mim
e que é você
a sua voz
eu sei

No
ar
partículas imóveis
mas eu sei
posso ouvir
você
aqui

comigo