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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Quem nunca amou, não sabe do que seu egoísmo é capaz

Eu quero levar uma vida moderninha
Deixar minha menininha sair sozinha
Não ser machista e não bancar o possessivo
Ser mais seguro e não ser tão impulsivo

Mas eu me mordo de ciúme
Ultraje a Rigor - Ciúme

Quem nunca amou, não sabe do que seu egoísmo é capaz. Esse pensamento me ocorreu quando eu estava deitado sobre as pernas dela, ouvindo ela me chamar de mesquinho depois que eu lhe contei sobre a péssima noite que eu tive de angústias, delírios e insônia, ao deixá-la sair sozinha com as amigas.

O ciúme é uma insônia infernal. (De um anônimo de um século qualquer)

Ela tentou me explicar sobre a insegurança, sobre a falta de confiança necessária no outro e em si mesmo que caracterizariam tal sentimento, entre outros argumentos que geralmente são usados por essas novas mulheres desses novos tempos para tentarem convencerem os homens de seu “machismo inconsciente”.
Os pensamentos que tive, as dúvidas, os devaneios e até mesmo os ímpetos violentos e sádicos que me acometeram e me perturbaram noite a dentro, me fizeram considerar o ciúme como uma das mais elevadas manifestações de egoísmo. Não se tratando, dessa forma, como ela tentava me convencer, de fidelidade, de confiança, de machismo. Mas sim, de desejo, de poder, de posse.

- Mesquinho? (Eu exclamei sinceramente ofendido)

Também, certamente. Não vou negar esse lado obscuro e frágil deste sentimento enfermo. Porém, as grandes paixões – as verdadeiras paixões são egoístas!, como escrevera Stendhal. Somente aqueles que levaram até as últimas consequências seus atos apaixonados para alcançar, para realizar os seus anseios ardentes e ridículos é que podem entender perfeitamente, com aquela expressão alucinada de riso contido, do que o egoísmo é capaz. E, em se tratando de relação amorosa, somente esses loucos passionais, esses megalomaníacos se sensibilizam com o grau de obscuridade ao qual o amor pode chegar.

O ciúme é um bálsamo de cicuta e ácido. (De algum grego anônimo)

- Loucura?

Não. Apenas uma lucidez sombria. De olhos de fogo e língua flamejante. Um ser de fogo que, enquanto se consome, lança suas garras-labaredas sobre o outro – estopim e objeto. E se ergue com a desenvoltura desmedida de um fogaréu incontrolável e infatigável.
O ciúme é como ser lançado em um pântano de larvas, e ver-se obrigado a forjar, a partir de si mesmo, o ser do qual você fora despojado. Seus destroços insuficientes e ínfimos para obrar tal projeto.

Ela percebeu que eu já não a ouvia mais. Imerso em meus pensamentos. Silenciou e fez carícias na minha cabeça.

Levantei de súbito. E sem dizer nada e sem olhar para ela, saí andando, sentindo uma vontade terrível de chorar e, principalmente, de fazê-la sofrer. Também. Essa noite, ela me paga...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Poemas Nietzscheanos

Sem Linguagem

Ficar diante das coisas
é vê-las e só pensar:
vejo... elas existem...
A vida plena
a existência sem linguagem
Só palavras... As coisas...
O murmúrio
A mudez de tudo
em tudo

Condicional

Sério
Sereno
Mudo
Como sério
Seria tudo
Que sereno
Mudo
Se fizesse
Sem no entanto
Mudo
Consentir com tudo
Que não lhe fosse
Sério
Sereno
Mútuo


Poema Para Ser Esquecido

Poema para ser esquecido
Esquece-o
e jamais esquecerá
que um dia já o tivera lido
só para esquecê-lo em seguida
como se nunca tivera sido

Esquece-o

sem pensá-lo
porque pensar é contrário ao olvido
e contrariar o que quer ser esquecido
é condená-lo ao passado

Esquece-o

totalmente
como se ele estivesse escrito
com as palavras desnudas de silêncio

Esquece-o

em seus ouvidos
porque
ainda que o lera
um dia
ele jamais lembrará
que já o tivera lido

Esquece-o...
porque só a Eternidade
pura do esquecimento
é que o eternizará
no Templo do Olvido


Palavras-formigas

Folha de papal
em branco
é como um monte
de açúcar glacê:
atrai um bando de
palavras-formigas
que aos poucos
se amontoam
e se deixam ler


Peçonha

Põe o meu dedo em sua boca
como quem fosse beijar uma serpente

Vai... Assim... Sem medo
pois se algum veneno inocular em você
(tenha certeza)
não sairá pelo meu dedo


Canção Pra te Ouvir

Levanta
ou senta
Fica à vontade
Se bater a saudade
diz o que posso fazer
pra te ver sorrir

Só não fica assim
de pé
na vigília senfim
da solidão

Diz o que quer
Eu sei que te quero
E não te trago
em sonhos vãos

Esses teus olhos acesos
dois círios iluminados
na amplidão calada
E a tua música sensível só
aos meus sentidos

Fala do tempo
       futuro
       antigo
Conta pra mim
sobre aqueles amigos

Diz que eu te conheço
      desde hoje
      desde nunca
      desde sempre

Diz qualquer coisa
mesmo no silêncio
só pr'eu saber
como cantar pra você
e te ouvir


Ainda Sem V C ^

Olho no espelho/procurando sua face/mas como poderia ver o seu rosto/com os seus olhos?/A luz refletida do espelho/me atravessa/Algo em você/me atravessa
Sua luz seu calor/Há algo em você/que resplandece/em mim
Ou será delírio meu/Eu que estou sob um sol escaldante?/Não sei até onde isso importa...

Só sei e sinto/sem estar com V C ^