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terça-feira, 16 de março de 2021

Invocando deus-Cosmo

 Oh deus, deus, deus

por quê eu não acredito mais em você

em algo assim maior do que eu

Meu ateísmo ressentido é só isso, deus

esse sentimento doído

de gozo forçado

de saber que sou pequeno

e que você nos abandonou

ou fomos nós que o deixamos para trás

como uma roupa velha que não nos veste mais

ou como chinelos rasteiros de correias arrebentadas


Oh deus, deus, deus

por quê não consigo mais acreditar

naquelas que alegam terem sido suas palavras

palavras tão humanas, oblíquas, inexatas

É um inferno - eu lhe confesso - eu lhe imploro

ser assim só nós - só eu (sou eu?)


E essa dúvida constante de será que nos ouve

E se nos ouve, por que então não nos responde [diretamente

sem mensagem cifrada ou spam inconsciente


Eu lhe perdôo por ser assim

esse corpo sem forma, essa luz sem brilho

essa seta que corta o vento

e ao mesmo tempo o deforma


Oh deus, então é isso, esse espaço vazio

Vácuo

Somos só nós dois: matéria e antimatéria

se aniquilando constantemente

para que um Outro além de nós possa existir


Eu não sou, não existo

Sem nós é você que inexiste

Hipótese ontológica improvável


O único que há, sem que haja

É o Cosmo - esse infinito feto




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ansiedade da Influência

I
enquanto os dedos nas teclas do pc
seguem os traços da sua pena
já nem sei se a cabeça que pensa
é realmente a alma
ou só a sombra do meu corpo
sua mão precursora
intangível sobre a minha
traça o caminho a seguir
e o pensamento se desvia

II
efebo rebelde
filho aprendiz
a sua luta
          injusta
contra mil mortos
          grandiosos
é o seu fado
          inexorável
uma herança maldita

padecerá no inferno
da sua condição de jovem poeta
e o seu maior consolo

será sua solidão completa

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

VERSOS&REVERSOS

escrevo neste momento
porque não tenho vontade
nem sei o que escrever

           apesar disso
não escrevo com indiferença
             apenas escrevo

como alguém que sabe que escreve
só porque não tem o quê escrever
            e assim
pode se aventurar de outra forma
                      em meio às palavras

as PALAVRAS
               estas minhas de agora
nada têm com os sentimentos
ou com minha vontade
                 só com ELAS mesmas
que são muitas e simples
como as estrelas que existem

não são como eu que
por viver em meio a tanta gente
                  sozinho
traz dentro de si uma multidão profusa

de inúmeras faces

as  PALAVRAS reinam absolutas
no seu universo cósmico 
cinturões de poeira semântica