terça-feira, 12 de agosto de 2014

Mais Uma Vez

"(..)Eu quero aprender cada vez mais a considerar a necessidade das coisas como o belo em si – assim, eu serei um daqueles que tornam as coisas belas, amor fati: que seja este de agora em diante o meu amor! Eu não vou fazer guerra contra o feio, eu não o acusarei mais, eu não acusarei nem mesmo os acusadores. Suspender o olhar, que esta seja minha única forma de negar. Eu não quero, a partir desse momento, ser outra coisa senão pura afirmação." Nietzsche, Gaia Ciência, §276



Tanto tempo levei
para me livrar dessa tristeza
E de tudo o que sei
hoje sei, não vale muito


O muito que ouvi
quem dizia nunca se mostrou

De tanto caçar
de tudo já sonhei
E o tempo ainda passa
Os meus olhos não me veem

Aquele amor não dá graça
E as minhas lágrimas
são lágrimas de ressaca


Pelos mares da vida
a navegar, naufraguei
Meu corpo é uma vela
E o vento
quantas vezes não soprei?

Eu nunca me vi numa ilha
esperando por alguém
Mas a vida ainda leva
E eu sei tão bem
que o tempo que me resta
eu mesmo o estimei

Pensei estar vivo
Na verdade, já nem sei

A loucura me parece tão bonita
que desejo me encontrar com ela
em algumas dessas ruas ou avenidas
por onde nunca passei

Mas meus olhos não enxergam
o que tantos olhos veem

A dor que me persegue
eu mesmo a cultivei


E, em seu fluxo, o mundo ainda me leva,

sem cessar, mais uma vez...

Nenhum comentário:

Postar um comentário